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Uma nova era monetária? A moeda dos BRICS como alternativa ao dólar

Imagem de Arquivo: BRICs Pay uma nova opção ao sistema Swift e ao dólar em transações internacionais 


BRICs Pay: Desde meados do século XX, o dólar norte-americano exerceu um papel central como moeda de reserva global e meio dominante nos fluxos comerciais internacionais. Hoje, o mundo avança rumo à transformação dessa hegemonia — e há crescente conversa sobre uma nova moeda dos BRICS, capaz de reconfigurar as regras do jogo financeiro global.

Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), agora ampliados para incluir países como Arábia Saudita, Irã, Egito e Emirados Árabes Unidos, somam mais de 55% da população mundial e respondem por cerca de 37 % do PIB global em termos de paridade de poder de compra . Essa força econômica crescente legitima iniciativas como a criação de uma moeda comum — ainda que, por ora, ela seja um projeto em debate e não uma realidade institucional.


Por que essa moeda é tão relevante?

1. Desdolarização crescente

Hoje, cerca de 80 % das transações internacionais ainda são realizadas em dólar, e mais de 58 % das reservas cambiais globais estão denominadas nessa moeda . No entanto, os BRICS ampliam o uso de suas próprias moedas em acordos bilaterais — por exemplo, mais de 90 % das transações entre China e Rússia já são feitas nas suas moedas nacionais .


2. Redução de custos e riscos políticos

Negociar em moedas locais pode tornar os pagamentos internacionais mais baratos, menos complexos e menos sujeitos a sanções ou interferências — especialmente relevantes para países que sofreram restrições financeiras .


3. Infraestrutura financeira alternativa

Os BRICS vêm desenvolvendo sistemas próprios de pagamentos, como o BRICS Pay e a BRICS Cross-Border Payment Initiative (BCBPI), que visam substituir o SWIFT e facilitar a liquidação direta entre países membros .


4. Resiliência e cooperação financeira

Com estruturas como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e o Acordo de Reserva Contingente (CRA) — este último com US$ 100 bilhões disponíveis para crises de liquidez — os BRICS consolidam um sistema financeiro alternativo sólido .


O papel do Brasil e a diplomacia monetária

Em 2025, o Brasil assumiu a presidência do BRICS e lidera debates importantes sobre a adoção de comércio em moedas locais e a reforma da governança econômica global . O presidente Lula, com seu histórico de defesa do multilateralismo, questionou publicamente: “Por que todas as nações precisam basear seu comércio no dólar?” . Em sua visita à China em 2023, Lula reforçou esse posicionamento, firmando acordos que diminuem a dependência do dólar nas trocas Brasil–China .

É nesse espírito que o Brasil soma esforços diplomáticos para fortalecer alternativas ao sistema financeiro atual — não com ruptura abrupta, mas com iniciativas graduais que ampliem a autonomia dos países emergentes.


Um projeto em construção, ainda longe da implementação concreta

Apesar de todos esses avanços e discussões, ainda não existe uma moeda única dos BRICS em circulação. O foco, por enquanto, recai sobre mecanismos de pagamento entre moedas nacionais, e não na criação de um “bric” (como alguns especulam) em termos práticos .


Em síntese...

A proposta de uma moeda dos BRICS representa mais do que uma simples inovação monetária — é um símbolo em construção de uma ordem financeira mais plural, justa e menos dependente dos polos tradicionais de poder. Ao longo dessa trajetória, o Brasil, por sua diplomacia engajada e seu papel como presidente do bloco em 2025, atua como facilitador desse processo de transição global.


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